sexta-feira, 19 de junho de 2015

Ela está sufocada. Quer esvaziar, mas o grito fica preso na garganta.
Começou a caminhar. No caminho, decidiu correr.
Ela precisava fugir. Fugir de todo aquele peso. Toda aquela pressão.
Ela não sabe mais o que fazer. Precisa se libertar de toda essa sombra. Mas o peso nas costas não deixa as amarras se soltarem.

Na fuga, sente o vento cortante da noite gelada batendo no rosto. Chega a quase doer.
Porém essa quase dor é reconfortante.
Ela se entrega à noite como uma ninfa ao seu amado.
Ela está só, mas essa solidão lhe cai bem pelo menos uma vez.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Quando a vida te da porrada, uma atrás da outra, quando as consequências das burradas que você faz barram todo o nível suportável de dor e angustia, quando tudo isso acontece, o medo é uma presença constante. O desejo de encerrar tudo ali, de maneira definitiva, parece ser o único pensamento são. Mas a covardia é tamanha que nem isso você é capaz de fazer.

segunda-feira, 9 de março de 2015


Abro os olhos e fico eufórica.  Estou completa, cheia de mim.
Fecho os olhos e vejo seu rosto. Meu coração transborda de prazer. Pensar que nossos corpos, nossas mentes, tudo se completa. Não completam duas metades. Completam sim dois inteiros. Pois somos dois, e esses dois juntos ainda são dois.
Sua ausência não dói, não há de doer. Pois não preciso de mais nada além de mim pra ser eu.
Sua presença me encanta, me alegra, me faz apaixonar. Ainda preciso de você pra me acompanhar.
Segure minha mão e vamos seguir juntos pela estrada de tijolos amarelos, e ver até onde conseguimos chegar antes de enjoarmos da euforia de sermos dois.

domingo, 8 de março de 2015

Esse é um daqueles malditos momentos em que não ter com quem conversar dói mais do que o assunto em si.
Queria apenas poder desabafar, contar o que aconteceu, como eu me sinto sobre isso, e poder tirar o peso do peito.
Mas não posso, não tenho com quem.
Dói saber do que eu sei, dói imaginar as coisas que eu imagino, quero poder colocar isso pra fora, quero poder me abrir e contar tudo o que tem acontecido comigo. Mas... Acho que nesse momento, ninguém iria compreender.
Também pudera. Quem vai entender que uma pessoa que se diz madura e que adotou uma vida de promiscuidades chora antes de dormir? Quem vai acreditar que essa pessoa que se diz livre e aberta e desimpedida também ama, também sente ciúmes, também sofre por estar sozinha numa tarde de domingo?
Quem além de você?

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Dormi e sonhei.
Uma noite cheia de pesadelos e sonhos vazios. Uma noite cheia de visões doloridas dos meus medos mais fúteis e vis.
Uma noite cheia de demonstrações de como tudo isso vai terminar.
No fim da festa, quando todos já estiverem cansados de ficar fora de casa, quando todos quiserem paz e sossego, verei cada um voltando pra sua metade, cada um voltando pra sua casa, cada um com os seus.
E eu? Eu vou ficar só, arrumando a bagunça que foi deixada pra trás. Arruinada e vazia. O que me restará? As lembranças boas de uma festa feliz, aonde eu me diverti ao máximo, aonde eu cheguei no meu ápice, aonde cheguei no clímax, aonde eu me libertei e me soltei e me doei. E no fim, serão apenas eu e as lembranças. Agora não tão felizes, um tanto amargas. Lembranças que serão minhas, e somente minhas. De mais ninguém.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sim, dessa vez pode confiar que é pra você. ^^

Eu sei que você lê isso aqui, e talvez seja o único, então essa foi a maneira mais fácil que achei pra te agradecer sem sair correndo pra de fato falar com você. Eu sei que agora não é exatamente o melhor momento. E, se eu for esperar o amanhã, talvez não consiga dizer com tanto entusiasmo o que estou sentindo agora.


Queria dizer que você foi a melhor coisa que poderia me acontecer nesse momento da minha vida. Um momento cheio de reviravoltas, aonde eu decidi que quero fazer tudo aquilo que eu sempre quis fazer, mas nunca tive exatamente a iniciativa necessária pra dar o primeiro passo. Acho que eu sempre achei que não conseguiria começar, ou não acharia o lugar certo, ou não conseguiria a motivação necessária.
Você faz tudo parecer tão fácil e divertido. Acho que já falei o quanto você está me ajudando, mas não sei se consegui fazer você entender o quanto isso é importante pra mim. Não sei se em 100 anos eu conseguirei fazer você compreender a importância que você está tendo pra mim agora. E ainda não sei como te agradecer por todo esse carinho que você está tendo por mim.

Acho que eu nunca consegui explicar muito bem o que eu queria aprender quando dizia que quero aprender música. Não quero somente o dó, ré, mi, não quero aprender a fazer meia dúzia de acordes no violão, mas não entender quando alguém me pedir pra fazer algo mirabolante como "fá menor sustenido com baixo em sétima" (não sei nem se isso existe).
Não gosto de ser mediana, não quero aprender algo pra estar na média. Também não quero saber cantar uma música ou outra com apenas uma afinação legalzinha. Quero poder chegar e falar "poxa, esse tom não tá legal pra mim, tenta fazer 'x' coisa que eu acho que funciona melhor." Sempre achei incrível quando vejo pessoas fazendo isso.
Enfim, eu não quero apenas saber fazer algo simples. Eu quero entender como funciona, quero ouvir e compreender, quero saber fazer de verdade.

Eu entrei no site, fiz cadastro, me perdi um pouquinho pra achar as coisas (sou meio tapada com essa coisa de terreno -site- desconhecido), mas consegui assistir a alguns (até o momento foram os dois primeiros da Lesson 1) vídeos. Eu acho que já me apaixonei pela leveza que os vídeos de apresentação do curso carregam. O bom humor, a proposta. Talvez não tenha tudo o que eu quero aprender em um lugar só, até porque eu quero aprender tudo. Mas eu acho que você me deu um ótimo primeiro passo (ou uma caminhada inteira), e isso é uma das melhores coisas que você poderia me dar.

Vou continuar assistindo (mas acho que vou pegar meu teclado antes, já combinei de buscá-lo na quinta feira que vem), vou praticar, vou te perturbar, pode ter certeza que vou te perturbar muito.
E, quero que você saiba que eu NUNCA me senti tão a vontade de começar algo novo e mostrar minha "fraqueza de iniciante" quanto eu me sinto com você. Nunca consegui aprender algo novo com algum amigo, ou conhecido, porque sou péssima pra aprender coisas quando me sinto acanhada. Mas meio que nada disso rola com você. Com você eu me torno a pessoa mais a vontade que eu posso ser, mesmo com toda a minha vergonha e timidez.
(acho que eu não deveria estar te contando essas coisas, mas já que eu comecei a escrever e não consigo parar, escrevo logo tudo o que eu to pensando no momento)

Enfim, é isso. Obrigada. Mil vezes, obrigada. ^^

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Sabe aqueles dias em que nada parece fazer sentido? Que tudo o que você deseja é estar em outro lugar, fazendo alguma outra coisa qualquer. Você começa a se ver sozinho com seus pensamentos, se perguntando se tudo o que você faz não está completamente errado.
Aquele momento de solidão em que os pensamentos ruins insistem em querer entrar.
Aquela saudade da pessoa que te faz sorrir. E a dor de não poder encontrar.
Só mais um dia, repito pra mim mesma. Quantas vezes mais?
Só mais essa vez, só hoje, somente essa semana. Essa filosofia do "só por hoje" só funciona quando o sentimento é bom. Paixão, desejo, tesão, carinho, amor. Quando o sentimento magoa, machuca, faz doer, o "só por hoje" se torna um mantra difícil de digerir. Saudade, distância, solidão, medo. Sentimentos que crescem, que se apoderam, que enchem o peito de um peso inexplicável. Aí então, torna-se difícil acreditar que é só hoje, somente dessa vez, que amanhã vai passar. Que amanhã é um novo dia e tudo vai ser diferente.
Como eu queria que meu porto seguro estivesse aqui. Que me falasse que eu não estou fazendo nada de errado, que tudo isso não passa de coisa da minha cabeça, e que eu tenho que parar de deixar que a opinião dos outros exerçam algum impacto sobre mim.
Vamos tentar, quem sabe dessa vez dá certo.
"Fica bem. É só por hoje!"

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Domingo a noite e ela está só.
Queria estar com alguém para aquecer seu corpo, para lhe arrancar suspiros, e sorrisos.
Queria somente, talvez, alguém para lhe abraçar até que consiga dormir.
Alguém que possa segurar sua mão e lhe retirar de todos esses pesadelos que tanto a fazem chorar.
Queria os beijos que ela tanto gosta de receber, o carinho que ela gosta de dar.
O prazer que só ele soube lhe proporcionar.
Ela quer você e nada mais importa.
Gostar.
Sentimento esse tão confuso. Ou seria confundido?
Gosto dele. E gosto do outro.
Gosto do que faz bem. E as vezes do que faz mal.
Gosto de poder gostar.
Gosto da liberdade que é gostar.
Não gosto igual, gosto sempre diferente.
Porque gostar de uns é indecisão?
Porque querer mais é falta de dignidade?

Gostaria de saber em que momento foi imposto em minha vida que eu não posso gostar de alguém se não for pra ter compromisso. E que compromisso é estritamente namoro>noivado>casamento. E que eu sou obrigada a fazer isso. E que sou obrigada a gostar de um só, que também só goste de mim.
Não quero ter de fazer escolhas, não quero tomar decisões baseadas em fundamentos infundados de pessoas que não suportam a idéia de mais amor por favor.
Eu gosto de quem gosta de mim, e não ligo se ele gosta de outra além de mim. E espero que ele não se importe por eu gostar do outro.
Eu gosto de me apaixonar a cada dia por alguém diferente. As vezes é o mesmo. As vezes é o outro.
No momento estou apaixonada por você. Você que me faz bem, que me faz feliz, que me respeita, que me ama, que me entende. Você que está aprendendo a me conhecer. Você que me deixa doida. Você que me tira do chão e me leva pra ver estrelas deitada em nuvens de algodão. Sim, você.
Te quero, te desejo, sinto sua falta.
E, quem é você? Isso só eu sei. Espero que não se importe se houverem dois de você. Só por hoje. ;)

terça-feira, 20 de janeiro de 2015


O tempo todo, em todos os lugares, há sempre uma receita de como satisfazer alguém. Seja essa satisfação física, sentimental ou relacional.
Inúmeras receitas de bolo sobre como encontrar o amor perfeito, como fisgar aquele gatinho, como chamar a guria pra sair. Como fazer um sexo perfeito, cheio de passo a passo e sem muito espaço pra conversar sobre gostar ou não daqueles passos. Como ganhar uma mulher na conversa, como ser aceita pelos amigos dele.
Todas essas receitas de bolo generalizam o relacionamento de uma tal forma, que não existe espaço pro diferente. Não existe espaço pras descobertas, não existe espaço pro diálogo.
Se você não sabe porque não está satisfazendo seu companheiro plenamente, existem mil tutoriais de como fazer um bom oral (e se o cara não quiser que você chupe as bolas?). Se a sua companheira não goza com seu oral, você deve estar fazendo algo de errado (e se ela quer esperar pra gozar junto de você?).
Todos esses tutorias diminuem o diálogo aberto sobre o que gostamos ou não, sobre o que queremos ou não.
Não quero conquistar o homem perfeito, não me empurrem isso goela abaixo como  uma pílula moral.
Quero poder conquistar quem eu quiser a cada dia, e se eu não quiser ninguém em determinado dia, que isso seja normal.
Não quero casar, não penso nisso. Não quero um relacionamento sério nem um príncipe encantado.
Quero o plebeu que me faça subir pelas paredes, e que não me cobre nada no dia seguinte. E quero ter a liberdade de poder procura-lo caso eu queira subir pelas paredes de novo, sem que ele fique ponderando se sou atirada ou se quero romance.
E se eu quiser romance também? Posso querer um romance de uma noite apenas. E posso querer a putaria numa outra noite. E se eu quiser com a mesma pessoa, porque não? E se eu quiser com pessoas diferentes? Qual o problema disso?
E se um dia, depois de tudo isso, eu quiser alguém pra mim? Deveria importar pra quantas pessoas eu dei? Deveria importar quantas mulheres ele comeu? Eu acho que não.
Eu realmente acho que as pessoas precisavam de mais liberdade sexual, mais liberdade de escolha, mais "porque não?", mais diálogo aberto sobre seus próprios desejos e menos receitas de bolo, menos falso pudor.
O que o mundo precisa é dar e ser feliz.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Por ser assim, gostar de ser feliz, ja magoei muita gente com quem me importava.
Não era de propósito, não magoei porque quis. Mas, dentro de toda minha felicidade, não conseguia entender como alguém poderia pensar diferente, querer ser diferente. Eu me importava sim, mas não conseguia enxergar aquilo que era diferente.
Em algum momento no meio do caminho, passei a ser como os outros eram, ou como queriam que eu fosse. E eu até entendia como aquela felicidade podia existir, mas não era uma felicidade plena. Não podia ser. Faltava algo mais. Faltava um pouco de aventura. Um pouco de tempero.
Me contentei com aquela felicidade água e sal por mais tempo do que esperava. Me contentei com coleiras e amarras e bambolês sociais. Mas, no fim, eu já não me reconhecia.
Me desprendi de tudo, me libertei das amarras, voltei a buscar a minha felicidade. E a encontrei mais perto do que eu esperava.
Encontrei entre meus amigos pessoas que estão tão libertas dessas amarras quanto eu. Pessoas que entendem a liberdade como algo bom. Pessoas que não irão se magoar se eu for diferente.
Hoje eu vivo uma felicidade plena. Hoje eu sou livre. Hoje eu sou quem eu quiser. E é assim que eu quero ser.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Resoluções de Ano Novo

Quero esquecer teu cheiro. Retirar da minha pele cada toque seu. Quero que minha cama esqueça o formato do teu corpo. Que meu colo desacostume do seu peso. Quero que meus ouvidos esqueçam sua voz.
Mas, acima de tudo, quero que meu coração esqueça todo o amor que um dia te deu.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Eu estava ali, e a observava. Ela estava imersa em seus pensamentos. Olhava perdida por aquela janela, gotejada de chuva. Parecia sofrer, mas um sofrimento quase aliviado. Como se fosse o fim de algo que era inevitável.
Tentei imaginar quais angústias se passavam por aqueles pensamentos tão compenetrados, que a deixavam tão distante.
Pensei em me oferecer para dividir seu pesar, mas percebi que ela quase se sentia bem ali, deixando tudo para trás, naquilo que parecia ser sua última vinda por aquele trajeto. Trajeto que pra mim era tão comum.
Em algum momento ela voltou a si, levantou a cabeça, deu um leve sorriso e se despediu de uma vida que deixava pra trás.
Quem sabe um amor que fora amado em vão. Ou um sonho que havia se despedaçado por entre lençóis desarrumados após algumas noites de amor.
Começo a achar que aquele rosto refletido naquela janela gotejada de chuva era nada além do reflexo meu.
E hoje eu sei que aquele trajeto se tornou passado para ambas.
E que tudo não passou de uma doce ilusão.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014


As vezes é muito difícil apenas sorrir e manter a aparência de que tudo está bem (ou ficará). É difícil ser a Sra. Pensamento Positivo quando o mundo está desmoronando lá fora e tudo o que você quer é se trancar no quarto.
Essa máscara de perfeição e sorrisos e "tudo vai dar certo" já rachou. Hora de deixar cair.
Esse papel de "Miss Brightside" que eu assumi me adoece mais e mais. Novamente não me reconheço mais ao me olhar no espelho.
Nunca fui santa, nunca fui pura, nunca escondi isso de ninguém. Porém, sempre amei, sempre fiz o melhor que pude pra deixar todos felizes e satisfeitos. E agora, quem sou eu? Uma vadia egoísta e sem personalidade, que não dá valor a quem me ama, que pula de brinquedo em brinquedo, que vai de joguinho em joguinho, que quer alguém pra fazer feliz, mas não sabe mais quem.
Se me entrego de mais, sofro pois todos pensam que morro de amores. Se me entrego de menos, sofro por sentir que não fiz tudo o que estava ao meu alcance para felicidade alheia.
Sinto que sou uma puta, que dou amor e prazer, e recebo em troca o desprezo e a cara de "só amizade e causalidade, sem amor." O que ninguém entende é que meu amor é coletivo, sem cobranças e sem compromissos.
Não quero sofrer, mas, acima de tudo (inclusive de mim mesma), não quero ver ninguém sofrer.
A cada dia que passa, sinto mais e mais que não pertenço a esse mundo cheio de regras e tabus e etiquetas e hipocrisias e códigos de conduta. Sou um ser livre, de amor incondicional.
Agora eu me sinto alguém. Depois de anos sinto finalmente minha beleza e minha forma. Mas não sei ainda como me amar.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Queria desabafar, mas nem isso eu sei como fazer. Eu sei que está doendo, mas não exatamente pelo que você está pensando. Dói porque não quero perder algo bom. Não quero perder você.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A cada mentira que lhe conto, sinto que um espinho penetra em minha carne. Tudo o que eu não quero é te ver sofrer. Não quero te fazer mal. Quero cuspir toda a verdade, quero lhe contar meus desejos mais profanos, meus segredos mais ocultos. Quero que faças parte de mim. E quero fazer parte de ti.
Me deixe ser sua, faça de mim uma escrava. Me ame e me deixe te amar. Apague meu passado e siga em frente comigo, ao meu lado. De mãos dadas pra longe do abismo que cavei um dia. Me tire de perto dessa cova rasa que eu havia feito pra esperança e pras coisas boas. Não deixe que eu enterre o que há de bom em mim.
Me faça feliz. Me ensine o que é felicidade, que há muito esqueci.


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terça-feira, 15 de julho de 2014

Ela estava só, num quarto escuro e solitário. Sonhava com  o que podia ter acontecido se tivesse tomado as decisões que julgava erradas por magoar o outro que não ela.
Decisões que a fizeram sofrer a cada suspiro, se quebrar a cada briga, machucar cada vez que ouvia alguém dizer o quão errada estava.
Não queria magoar ninguém. Não queria maiores problemas. No fim, estava só. Suas únicas companhias passaram a ser o Whisky, o cigarro e os antidepressivos. Mistura complicada de lidar.
Naquela noite escura e chuvosa, repleta de raios e trovões ela sentia falta de tudo o que perdera por puro egoísmo e autopiedade. Por puro medo de largar tudo, ser feliz e seguir em frente.
Ela não suportava mais chorar antes de dormir enquanto pensava em tudo o que deixara pra trás. Já perdera a conta das vezes que acordara aos gritos, sem nenhum socorro, depois de mais um sonho ruim.
Aquela noite seria a ultima vez que derramaria uma lagrima, daria um grito de dor. Acendeu seu último cigarro, encheu seu último copo, depois de muitos naquela noite, tomou seu ultimo comprimido, depois de caixas.
Sua visão turva já estava a lhe enganar, sua cabeça rodava em uma interminável espiral, suas pernas já não aguentavam mais  peso do seu corpo. E ela enfim pôde vê-los uma ultima vez. Todos aqueles a quem amara, todos que a desejaram, todos aqueles que um dia desejou tocar. Estavam ali por ela, sorriam para ela.
Ela dançou uma ultima vez, cantou uma ultima vez, amou uma ultima vez, sorriu pela ultima vez. E, num suspiro quase interminável ela se despediu. Se despiu da realidade e da dor, se entregando plenamente ao mais puro prazer da eternidade.
E, por um ultimo segundo, enfim era feliz.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Eu queria poder gritar, chorar, sufocar. Mas não posso, estou muda. A dor se tornou parte do meu ser, a duvida é a única coisa que me define, o sofrimento se tornou normal. A mentira é tão coerente que se tornou translúcida.
Não sei mais em que canto escuro se esconde o meu eu. Aquela que chamam de verdadeira personalidade, de verdade só o nome.
A pureza do ser deixa de ser quando as outras mentes maculam o inalcançável. Quando a incoerência se torna inabalável, então eu sei que a loucura está presente, sempre soube. E sei que não posso mais mudar. Não consigo mais sair do emaranhado de mentiras e promessas vãs.
Só me resta estampar o sorriso amarelo no rosto e seguir em frente. Fazer de conta que assim eu sou feliz.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Sabendo que não podia, foi.
Depois de feito, fez-se.
Sendo a mesma, reinventou-se.
Renasceu pro ontem, jamais esquecendo do amanhã.
Viveu o hoje sem viver jamais.
Eu me apaixono o tempo todo, todo dia, nos momentos mais inusitados. E nem sempre é pelo mesmo.
Todos temos pequenos amores de minuto. Aquele olhar de alguém interessante no ônibus, aquele amigo bobo que sabe exatamente como te fazer sorrir, aquele avaliador que de tão simpático e educado te faz esquecer que aquilo ainda é uma prova. Aquela vendedora que consegue encontrar aquela peça que esta a muito esquecida e que foi a única que voce gostou, e ela te entrega com um sorriso satisfeito no rosto. Aquele carinha no metro que lê o seu livro favorito. Aquele carinha com uma camisa do show que você acabou de sair, e vocês entram num papo incansável e se tornam melhores amigos de sempre. Aquele livro novo, aquele disco que é tão maravilhoso que não se para de ouvir. Aquela comida que é a única que voce consegue pensar com toda fome do mundo, ou fome nenhuma.
E é gostoso se apaixonar.
E aquela simples troca de olhares pode fazer daquele dia o melhor dia, daquele momento o melhor momento. Daquela historia mais uma historia boa que é gostoso de ser lembrada.
Todos precisamos nos apaixonar mais e mais. Precisamos nos libertar das amarras sociais que dizem que olhar pro lado é feio.
Olhe pro lado e veja se não ha alguém apaixonável perto de voce...